Queridos cidadãos de bem, eu só queria começar esse post avisando que já é tarde demais para todos nós: a agenda conspiratória da ditadura gay infelizmente conseguiu infiltrar até mesmo o nosso inocente entretenimento infantil – e nós não conseguimos perceber a tempo.
Ou, pelo menos, é nisso que alguns malucos da internet – que discutem como a história de “Frozen” faz algum tipo de lavagem cerebral pró-homossexualidade – querem que a gente acredite.
Olha, eu sou provavelmente a última pessoa no mundo que veria qualquer coisa de errado em uma animação para o grande público mostrando esse tipo de abertura, mas não é disso que a teoria a que vou me referir neste post fala.
A teoria, divulgada pelo pastor e apresentador de um talk show religioso Kevin Swanson, fala sobre as maquinações diabólicas da Disney para manipular e fazer todo mundo pensar que homossexualidade é OK. Porque se tem alguém que vai estar na vanguarda de mudanças sociais, é uma grande corporação que faz pesquisa de mercado até para trocar a decoração do escritório.
E aí, só porque a polêmica não estava forte o bastante ainda, o cara ainda acrescenta algumas acusações sobre o filme promover bestialidade. Porque claro que eles fariam isso; a Disney depende do sucesso comercial dos seus filmes, mas promover secretamente esse tipo de agenda é mais importante.
Eu sei que toda essa história de “vamos rir das coisas malucas que fundamentalistas religiosos falam” também é meio clichê. Por que não deixar o cara falar besteira, certo?
Eu diria que porque enquanto um número maior de pessoas do que deveria (leia-se: maior que zero) acreditar nesse tipo de discurso, acho importante apontar o absurdo. E porque é engraçado.
Aqui o uma parte do comentário de Swanson, que pode ser visto em toda a sua glória completa,neste site americano de extrema direita:
“Amigo, isto é maligno, simplesmente maligno. Eu me perguntou se as pessoas pensam: ‘você sabe, eu acho que esse filme bonitinho vai ensinar minha filha de cinco anos a ser lésbica ou tratar homossexualidade e bestialidade como se não fossem problemas sérios’. Eu me pergunto se a maioria dos pais indo ver ‘Frozen’ está pensando desta forma. Me pergunto se eles estão andando por aí, dizendo, ‘é, vamos levar meus filhos de cinco e sete anos e fazer lavagem cerebral neles, logo cedo’. Sabe, eu não acho que eles pensem nisso. Acho que a maior parte deles não tem noção do que acontece. Talvez eles percebam partes desse problema, mas não o bastante para que eles levantem e saiam do cinema”.
Se você está se perguntando que tipo de drogas essa pessoa tomou e onde dá para conseguir um pouco (resposta: possivelmente as mesmas drogas que levaram as pessoas a ver satanismo em “Harry Potter”), mas vocês ainda não viram nada. A pior parte são os não-argumentos que ele usa para sustentar as afirmações: estamos falando de um filme comnúmeros musicais, ou seja, que obviamente apoia a causa homossexual.
Uma das personagens principais, por conta da pressão dos pais, passa a vida inteira escondendo sua verdadeira natureza dos outros e não termina o filme com nenhum homem – Elsa é claramente lésbica. Em determinado momento, o rei dos Trolls pergunta se Elsa ‘nasceu assim ou foi amaldiçoada’. Claro que é mais uma referência a homossexualidade – como poderia deixar de ser?
Quanto à bestialidade, a musiquinha sobre o relacionamento adorável de Kristoff com sua rena, Sven, obviamente contém referências simbólicas ao fato de que os dois são um casal.Claramente. Mas tudo bem – a Disney me disse que está OK amar animais dessa forma, então logo mais a sociedade deve estar fazendo isso e praticando satanismo.
(na cara da sociedade)
Eu realmente não sei o que seria mais odioso nessa “lógica”: o fato de que o cara pensa que uma mulher precisa necessariamente ter um interesse romântico (uma das subversões que mais fez “Frozen” ganhar pontos positivos comigo) ou a visão negativa da implicação de que a personagem seria lésbica.
O pior é que, tirando todo o detalhe da ignorância e ódio de quem criou a teoria, essa ideia de que a criação da Elsa no filme seria uma espécie de metáfora para pessoas que crescem reprimindo a própria homossexualidade é até interessante.
Pessoalmente eu não acho que ela se sustente (não é como “X-Men“, que traçava paralelos claros entre a causa homossexual e causa mutante), mas não deixa de ser uma interpretação legal.
Agora, a afirmação sobre bestialidade, eu só… Não. Apenas não. O Sven é adorável, como alguém poderia pensar isso? Acho que eu definitivamente não quero as drogas que essas pessoas estão usando. Algo que te deixe tão fora da realidade assim, não pode ser bom para a saúde.
